“Era muito difícil acreditar na existência de um Deus.
Queríamos acreditar para ter algo a que nos apegar. Mas, por outro lado, era
impossível pensar em um Deus; um Deus que permitia a vida continuar como estava.
Que crianças e idosos fossem assassinados – isso é um dilema eterno para mim. E
ainda toda aquela brutalidade a nossa volta. A possibilidade de existir um Deus
que organizava aquilo, ou que aprovava aquilo, ou que não se importava... Tive
muita dificuldade em lidar com essa ideia.” – Ronnie Goldstein-van Cleef
Foi olhando uma livraria que encontrei esse livro, até o
momento desconhecia sua existência, interessei-me muito após ler o título, pois
já tinha o interesse em ler algo sobre ela, mais precisamente “O Diário de Anne
Frank”, que espero poder ler em breve. Pela capa e principalmente pelo título
adquiri o livro e guardeio por um bom tempo na estante, até que veio a
oportunidade, e o tempo, de poder lê-lo.
Quando parei para lê-lo vi que a história era contada a partir
do ponto de vista de seis mulheres que relatam como e quando conheceram a
família Frank e a situação em que os viam nos campos de concentração, okay,
tudo bem, elas certamente irão falar como foram os últimos meses de vida de
Anne, assim espero, mas isso não ocorreu, o que se tem no livro são relatos
próprios, relatos de si mesmas, quase que raramente vemos alguma coisa sobre a
família Frank, e muito menos ainda sobre Anne Frank, mas o livro não deveria
tratar dos últimos sete meses de vida de Anne? Sim, pelo menos é isso que diz no
título, mas em prática não é o que temos, o que torna o título enganoso.
Essas seis mulheres trazem relatos ricos em detalhes fazendo-nos
ter uma idealização mais próxima do que passaram antes e depois de chegarem aos
campos de concentração, ao mesmo tempo que não relatam nada novo, falam de
coisas que já sabemos, das condições precárias em que viviam, falta de higiene,
do amontoado de mulheres para dividirem uma única “cama”, dos trabalhos forçados
e muitas vezes sem sentido, como carregar pedras de um lado para o outro.
Essa situação acaba não tornando o livro tão bom quanto o
esperado, o lado positivo seria ter relatos mais pessoais que demonstram os
sentimentos dessas mulheres na situação em que se encontravam, nos mostra
através de seus olhos um caminho que seguia rumo a suas mortes sem opção de um outro
caminho a seguir. Apesar de tudo isso ele não é ruim, uma leitura agradável e
trágica, interessante e repulsiva, um livro que recomendo a todos que tem interesse
no holocausto, no inferno trazido por Hitler à essas pessoas que ele tanto
odiava.
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Título: Os sete últimos meses de Anne Frank Ano de lançamento: 2015 240 páginas Editora: Universo dos Livros Autor: Willy Lindwer |
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